Aos 51 anos, começo a mostrar meus poemas inéditos, um a cada segunda-feira, na fé de que tenham valor literário e caiam no gosto dos que levam a vida em versos livres



segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Trauma-língua


 

Quando a mãe acamou no hospitá,
Lá foi seu menino, “bora visitá”,
E disse um amor no ouvido dela:
“- Sem a senhora, nada fica iguá.”

 
Foi aí que a mãe enferma
Desatou num pranto a chorá,
E desembesta a vó carola
A ralhá, ralhá, ralhá...

 
”Menino atrevido,
Doença que Deus pôs, Deus vai tirá.
Xô, seu abestado, já,
Passa do quarto, borandá!”

 
O menino, que era eu,
Justo eu (e seria quem?),
No ouvido de ninguém
Disse nunca mais nada não.
 
 

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