Aos 51 anos, começo a mostrar meus poemas inéditos, um a cada segunda-feira, na fé de que tenham valor literário e caiam no gosto dos que levam a vida em versos livres



segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Tolo romântico


A matéria que me constitui

É a delicadeza débil

Dos sofredores inatos

Sou composto de mágoa, névoa,

Lágrima e equívoco

Adivinho em minha fórmula

Um componente rígido

Que me prende os gases,

Me boicota os ânimos,

Limita o meu alcance:

Uma vida de relance.

     

Minha constituição física

É pontiaguda e tensa

Cultivo a minha dor

E assino minha sentença:

Sou o retrato esmaecido

De um poeta tísico.

  

Interdito uma felicidade

De olho em outra – que nunca terei

Emboto um desejo

Sonhando com outro – me apaixonei!

Troco o certo pelo duvidoso

E, tolo romântico, nem vejo que errei.

 

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