Aos 51 anos, começo a mostrar meus poemas inéditos, um a cada segunda-feira, na fé de que tenham valor literário e caiam no gosto dos que levam a vida em versos livres
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Meu reino encantado
Sempre que morro
deixo miolo de pão como rastro
e até hoje não houve meios
de que um passarinho faminto
me salvasse do faz de conta
e engolisse meu chão de bromato
Então eu volto.
Sempre que volto
engulo paredes de confeitos
mastigo chaminés de marzipã
devoro armários de nutela
até que engordo de novo o dedo
e chamo a bruxa pro serviço sujo:
mastigar minha vida sacarina
Então eu morro.
Figurante 3D sem nome nos créditos,
assim é que faço e refaço a travessia,
pensando que vida é fábula,
achando que morte é sono,
rezando pra que Deus não seja menos
do que Hans Christian Andersen
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