Aos 51 anos, começo a mostrar meus poemas inéditos, um a cada segunda-feira, na fé de que tenham valor literário e caiam no gosto dos que levam a vida em versos livres



segunda-feira, 2 de setembro de 2013

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Eu sei que é pura vaidade da lua,
Poderosa rainha do escuro que me atiça.
Mas seu retrato glorioso no espelho do lago
É o que mais me dispara os sentidos
– ultimamente

E me afoga a vista, e me cega as fronteiras:
Mas que diabos foi fazer o lago lá no alto do céu?
Caio de bunda no úmido do meu paraíso.
Ajeito o reflexo qual pintura de Narciso
E rio, rio, rio... rio do mar de nuvens que avisto
– nitidamente

Sim, vivo sob o feitiço da estrela mais alva,
E rio, rio, rio... até que toco em sua cratera
Quando alço voo na vertigem do tapete mágico
Que teimo em manter aos pés da cama.
Mas que diabos, também não é só isso:
Cultivo tragadas que me acendem noites de prata
– naturalmente

Pamonha, pamonha, pamonha,
Pamonha de Piracicaba!
Ué, quem é esse, vendendo curau,
Montado num dragão dentro da lua?
E rio, rio, rio...
Eu sei que é pura vaidade,
Mas esse clarão no teto do quarto,
Que diabos, me comove até que amanhece
– subitamente



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