Aos 51 anos, começo a mostrar meus poemas inéditos, um a cada segunda-feira, na fé de que tenham valor literário e caiam no gosto dos que levam a vida em versos livres
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Poema de morrer
Levanto um circo pra morrer na lona
Escalpelo um frango pra morrer de pena
Pra morrer de véspera, adianto uma novena.
Primeiro viro zen pra depois morrer de ódio
Ganho uma eleição pra morrer de puro tédio
Pra morrer recuperado, saboto o meu remédio.
Toco tuba no coreto pra depois morrer discreto
Viro a fera do bordel, pra acabar no come-quieto
Pra morrer desenganado, me espatifo no concreto.
Compro terra no Xingu pra morrer no Himalaia
Evaporo os sete mares pra poder morrer na praia
Pra morrer canonizado, barbarizo na gandaia.
No bucho, manjar dos deuses – e assim morro de azia
Na pele, banho de lua - e, por fim, morro de dia
Pra morrer durante a noite, holofote na coxia.
Evito o teste da farinha, mas morro em cima daquilo
Na trilha, tango argentino – de mortalha, um espartilho.
Pra morrer cedo e tranquilo, incendeio o meu asilo.
Compro gado atrás de gado só pra morrer mamado
Renovo meu enxoval pra poder morrer pelado
Pra morrer na sua cama, sonho sempre acordado.
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