Aos 51 anos, começo a mostrar meus poemas inéditos, um a cada segunda-feira, na fé de que tenham valor literário e caiam no gosto dos que levam a vida em versos livres



segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Madrugada Subjuntiva


E se eu não amanhecesse?
Avivasse labaredas no meu ninho de dejetos e mormaços
E deixasse que um lento vapor me cozinhasse?
E se na chaleira corroída do meu banho-maria,
Eu largasse sua mão e me afogasse?
E se eu sorvesse dessa nuvem o que de etéreo houvesse
e voasse, voasse, até que algum Ícaro me despencasse?

E se eu não mais respirasse?
Rompesse cada artéria até meu mar vermelho vazar-se?
Lençol atado no pescoço até que o lustre despencasse?
Um banquete pútrido para que as tripas me delgassem?
Uma rainha louca que me cortasse e embaralhasse?
E se, em vez disso, eu só não mais sonhasse
– já não seria um fim que me bastasse?






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