Aos 51 anos, começo a mostrar meus poemas inéditos, um a cada segunda-feira, na fé de que tenham valor literário e caiam no gosto dos que levam a vida em versos livres



segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Velório



No dia em que ela morreu,
Interminável dia,
Abominável dia,
Primeiro eu engasguei salgado,
Depois São Brás me bateu nas costas
E me salvou do constrangimento.
Foi então que abençoei a flatulência,
O meu santo ciclo fedorento,
Pois algum torpor que fosse
Precisava abafar das coroas bentas
Aquele clamor de flores fétidas.

E ainda que rainha, e que reinasse,
No dia em que ela morreu,
Impraticável dia,
Insuportável dia,
Primeiro eu engasguei salgado,
Depois quedei embarazado,
Dispensei regras e rezas,
Discursos e cortejos,
E fui pra casa dilatado
Fértil e flácido,
Grávido de tantos peidos.


E me pari de novo esta segunda vida,
Enquanto meus irmãos secos
Baixavam à terra seca
Todas as coroas secas

E a rainha-mãe.



2 comentários:

  1. Nessa nova noite de insônia, um novo ciclo vicioso se instaura: leio, choro, leio mais uma vez, choro ainda mais, leio novamente e me acabo em lágrimas, e assim será até que as lagrimas me impeçam de re-ler vossas palavras e a angustia das lembranças aqui retratadas adormeça com o chegar da manhã.

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    1. elisa, você é especial, muito especial. te amo. MAS cuide dessa insônia, hein? obrigado por escrever esse comentário lindo nesse blog pouco prestigiado.

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