Aos 51 anos, começo a mostrar meus poemas inéditos, um a cada segunda-feira, na fé de que tenham valor literário e caiam no gosto dos que levam a vida em versos livres



segunda-feira, 19 de agosto de 2013

As coisas que eu te peço


Pisa em mim mais calmo,
que teu passo firme
já me basta
Tira logo o salto alto,
que este piso leve
não comporta

Salta e voa cada passo,
que no chão tem pedra
e muita casca
Finca logo tua estaca,
que agora aceito
ser comparsa

Arranca dali aquela placa,
que encontrei o rumo
e até perdi a bússola
Pula logo a minha vida,
que eu já sofro tanto
e ninguém mais me nota

Corre, dribla e faz a finta,
que este jogo sujo
nunca empata
Adestra logo o teu macaco,
que a plateia urra
por ribalta

Vê se arrasta aquela nuvem,
que eu prefiro o céu
sem obstáculo
Revela logo a tua fonte,
que eu escrevo um livro
e um espetáculo

Suplanta o meu delírio,
que eu te pago a conta
e te libero a porta
Contempla logo o teu desejo,
que eu sublimo o meu
enquanto isso





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