Aos 51 anos, começo a mostrar meus poemas inéditos, um a cada segunda-feira, na fé de que tenham valor literário e caiam no gosto dos que levam a vida em versos livres
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Trololó
O que hoje eu rejeito
é a verborragia
confessional
derramada,
a vertigem tola
da primeira pessoa
do singular.
Deixar para sempre
um desabafo epistolar
ególatra?
Não.
E que blá-blá-blá?
E que trololó?
Comigo não, violão.
Não vem, não, caldeirão:
Põe tampa.
Revirem gavetas
e rasguem
qualquer rascunho
de carta
rabiscos
vômitos
sem rigor
nem academia.
Acho mesmo isto:
a morte que me livre
desse jorro pretensioso
de versos desconexos
de orações subordinadas.
Que venha logo a asfixia
e me liberte:
Não quero mais
o frêmito clássico
das proparoxítonas.
Quero o nada mais inculto,
a hemorragia mais veloz
– e a cegueira de um papel
em branco.
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