Aos 51 anos, começo a mostrar meus poemas inéditos, um a cada segunda-feira, na fé de que tenham valor literário e caiam no gosto dos que levam a vida em versos livres



segunda-feira, 1 de abril de 2013

Apático


Não reconheço mais a ternura de uma renda
Não salivo mais com a possibilidade de cocada
Não me venha mais com a textura da neve
Não me cega mais a eloquência do branco

Amontoo palavras como quem perde a pauta
Desembrulho signos por desapego aos parágrafos
Vomito mantras para anular os ditados
Apalpo a língua por desespero de causa

Quem me dera uma pulsão que fosse
Quem me dera um empurrão com força
Quem me dera o coração de volta
E a vontade, e a vontade, e a vontade





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