Aos 51 anos, começo a mostrar meus poemas inéditos, um a cada segunda-feira, na fé de que tenham valor literário e caiam no gosto dos que levam a vida em versos livres
segunda-feira, 18 de março de 2013
Bordado
Sobram linhas retas
No avesso colorido deste meu bordado
Que acaricia um rosto por noite
Com seu relevo puído de quase violetas
No pano manchado de minha fronha de enxoval
Faltam linhas curvas
No trajeto óbvio desta minha palma
Que alicia um corpo por dia
Com a textura áspera de uma letra morta
Na euforia inútil de uma cama de casal
Quem me dera os garranchos atrevidos e livres
Pra salvar da pasmaceira os meus poemas frouxos
Na certeza doída de que nem relevos nem texturas,
Nem curvas nem retas, nem rimas nem métricas:
seu poeta, pobre de mim, nunca serei eu
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