Aos 51 anos, começo a mostrar meus poemas inéditos, um a cada segunda-feira, na fé de que tenham valor literário e caiam no gosto dos que levam a vida em versos livres
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
O de sempre
Meu viver é paradoxal:
Tem, mas acabou.
Quem comanda o meu pedido?
Não que eu vá pagar ao consumir
Nem que eu vá cagar sem despedir
Mas hoje é praxe cantar o garçom
Mas hoje é chique babar no salmon
Boteco muquifo sujinho sem lei
Cenário pra tudo o que não aprontei
Fiado, no fundo, é erro de digitação
Troco uma letra, atesto a condição.
Sorvo e trago à espera do juízo
E regurgito meu último alívio
Até o chão já encarde o que sou
Até o pão adormece de enjoo
Mas na bandeja de bile e de fel
Enxergo um sonho de cana e pastel
Algum trono ainda usurparei
Descarga de bosta!, feliz reinarei.
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