Tenho alguém na minha vida
Que me diz coisas fodidas
Que eu nasci para escória
Que não sei o que é vitória
Que na boca há jorro pútrido
E no falo um lixo fétido
Que só arrasto uma carcaça
E envergonho qualquer raça.
Que decomponho e esfarelo
Às vezes bile, às vezes gelo
Que contamino o horror supremo
Primeiro engulho, depois veneno
E que me vai triturar miolos
E que me vai cozinhar miúdos
E quer rifar meus dez artelhos
E estilhaçar meus mil espelhos
Cobrir de lâminas orifícios
Vazar meus olhos sub-reptícios
Empelotar o sangue, escoar o sêmen
Até que vermes me acenem.
Mas não me importo, nada temo.
Tenho alguém na minha vida
Que me diz coisas fodidas
E só fraquejo e desabafo
Quando – pena! – tudo cessa,
Tudo fica na promessa.
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