Aos 51 anos, começo a mostrar meus poemas inéditos, um a cada segunda-feira, na fé de que tenham valor literário e caiam no gosto dos que levam a vida em versos livres



segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Vivências

Pus o nariz pra fora da órbita
Tinha cada céu que eu despenquei
Fui parar no rabo de um cometa
Acordei sabendo que voei

Pus os pés pra fora da janela
Veio tanto ar que eu gangrenei
Fui parar na quadra da Portela
Tropecei pensando que sambei

Pus o pau pra fora da cueca
Era puro pó que eu espirrei
Fui parar no estojo da boneca
Me pintei, me pintei, me pintei

Pus a vida pra fora da gaveta
Tinha tanto nó que eu desatei
Fui parar no colo do capeta
E acabei tramando contra o rei

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