Aos 51 anos, começo a mostrar meus poemas inéditos, um a cada segunda-feira, na fé de que tenham valor literário e caiam no gosto dos que levam a vida em versos livres



segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Desta Vez

Diga você desta vez, diga
Tudo o que eu costumo lhe dizer
Diga você desta vez
E eu só fico aqui no vácuo,
Quieto, contrito, atento
Eu só fico aqui no ninho
Varado, vidrado, encantado
Enamorado da sua voz, sua cadência,
O volume e a potência.

Diga você desta vez, diga
Tudo o que eu penso de você e lhe derramo
Diga que você também pensa de mim e me derrama
Diga as palavras exatas que inventei pra lhe caberem
Diga como se fossem suas, frases prontas pra me vestirem

Diga você desta vez, diga
Diga que perde sangue, cai o cabelo,
Queima a pele, gela a espinha
Diga tudo o que padeço eu
Como se fosse seu
O corpo que definha

Diga você desta vez, diga
Peça, implore, declare, reitere
Bata na tecla da mesma sinfonia
Declame de volta a minha elegia

E, por um tempo meu, curto que seja,
– vento súbito que me pega,
chuva rápida que me rega –
eu ficarei respondendo sim, sim, sim, sim...
Todos os sins que você nunca me entrega.


Nenhum comentário:

Postar um comentário