Quero
escrever assim de lampejo
Coisa
ligeira, mas funda.
Que
demorar não posso não.
Eu
bem sei de mim o meu sono.
Sim,
eu tenho um sono.
Desses,
igual que nem peixe.
Isso!
Um sono de pescaria do tio
na
sala de visitas da vó
enquanto
fala a minha mãe.
Tio
que dorme até-inté-de-pé,
Tio
entorpecido, anestesiado que só.
É
assim que a vida gasta o tio da gente:
Fecha
o olho dele
que
é pra ver se ele vê
o
oco do caminho, a zanga de existir.
Mas
que inutilidade é essa?
eita
tio que pesca mas num cisma,
tio
que nada.
E
olha a onda:
Lá
se vai o meu desejo
De
sujeito e predicado.
Que
esse tio fisgou foi forte,
Arrancou
meu verbo
Com
seu olho fechado
Seu
anzol de Morfeu.
Que
eu vou dormir sangrando na boca.
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