Aos 51 anos, começo a mostrar meus poemas inéditos, um a cada segunda-feira, na fé de que tenham valor literário e caiam no gosto dos que levam a vida em versos livres



segunda-feira, 14 de abril de 2014

Tio na poltrona



 
Quero escrever assim de lampejo
Coisa ligeira, mas funda.
Que demorar não posso não.
Eu bem sei de mim o meu sono.
Sim, eu tenho um sono.
Desses, igual que nem peixe.
Isso! Um sono de pescaria do tio
na sala de visitas da vó
enquanto fala a minha mãe.
Tio que dorme até-inté-de-pé,
Tio entorpecido, anestesiado que só.
É assim que a vida gasta o tio da gente:
Fecha o olho dele
que é pra ver se ele vê
o oco do caminho, a zanga de existir.
Mas que inutilidade é essa?
eita tio que pesca mas num cisma,
tio que nada.

 E olha a hora,
E olha a onda:
Lá se vai o meu desejo
De sujeito e predicado.
Que esse tio fisgou foi forte,
Arrancou meu verbo
Com seu olho fechado
Seu anzol de Morfeu.

 Então, boa noite, ué.
Que eu vou dormir sangrando na boca.
 
 
 
 

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