Aos 51 anos, começo a mostrar meus poemas inéditos, um a cada segunda-feira, na fé de que tenham valor literário e caiam no gosto dos que levam a vida em versos livres
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Indisponível
Já tem osso virando farelo
Tinta escorrendo da página
Borrão rasurando a alma
Que o corpo é festa da ruína
Nem mais sombra de dúvida
Nem mais terra à vista
Nem farol nem sol nem sinal
Viga sem força sustentável
Vaga sem conforto reclinável
Vida sem receita palatável
E tudo cede, essa falta que me corrói
É muita sede, esse talho que vaza e dói
– e pensar que tudo isso começou
(meu vagão descarrilou,
meu batente apodreceu,
minha ponte despencou)
no dia em que a saudade impiedosa se acercou
– e pensar que tudo isso começou
(minha canção desafinou,
minha novela embarrigou,
meu roteiro empastelou)
no dia em que você,indisponível, se afastou
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