Aos 51 anos, começo a mostrar meus poemas inéditos, um a cada segunda-feira, na fé de que tenham valor literário e caiam no gosto dos que levam a vida em versos livres
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
Cacto
Ando seco seco seco seco
Algo em mim recusa mar e rio
Nem transpiro nem me evaporo
Enxugo involuntariamente
Cada forminha de gelo
Que teima em colorir de plásticos
Este meu novo mundo frost free
Penso que amadurecer seja isso
Reter os líquidos dentro de si
Compreender como sinônimo de conformar-se
Isso
Um ser assim conformado
Resignado árido esturricado
Como eu
É um ser que se fecha e resseca
Que não mais aproveita a água do corpo
Porque entendeu à força e enfim
Que certas coisas são como são
Que certas dores chovem pra nada
Que há amores que nunca serão
Melhor murchar com placidez
E aprender que a vida
Sendo vida
Chega um dia ao estágio de...
Cacto
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