Aos 51 anos, começo a mostrar meus poemas inéditos, um a cada segunda-feira, na fé de que tenham valor literário e caiam no gosto dos que levam a vida em versos livres



segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Colesterol


Nem precisa tocar Vivaldi
Nem tente me oferecer flores
Já sei de mim o meu reclame:
Sempre cabe mais um.

Uso no peito um modelo de coração
Que é GG, extra largo.
Só pode ser essa a explicação
Para eu suar todo melado

E acumular tanto guardado
Comemorar cada pecado
Cada quilômetro rodado
E ofegar refestelado

Cada vez mais apaixonado...

Eu bem que podia criar entrave
perder a chave
descer da nave

Eu até que devia começar uma campanha
evitar nova façanha
anular cada artimanha

E quem sabe o primeiro passo
Fosse engolir o papel almaço
Deste meu poema-desabafo

Mas doutor cardiologista,
Estimado nutricionista,
Meu abnegado analista:
Como emagrecer no coração
E desocupar o lotação,
Se essa necessidade de rima
É minha fonte de vitamina?

Amo, amo, amo e proclamo:
Sou só um pobre poeta amador
Não me internem, por favor.

Antes morte súbita
Que eternidade frígida.

Antes toda a gordura do amor
Que a margarina no refrigerador.



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