Aos 51 anos, começo a mostrar meus poemas inéditos, um a cada segunda-feira, na fé de que tenham valor literário e caiam no gosto dos que levam a vida em versos livres



segunda-feira, 17 de junho de 2013

Último boletim


A protuberância incômoda
De meu baço bagaço
Compromete a nudez lucidez
De meu autoconhecimento
O fígado segue apodrecido
E regado por alto teor de tristeza
Enquanto a qualidade úmida
De minha autopiedade crônica
Encharca papagaios e artérias
E me debruço feito moça feia
Nos parapeitos retorcidos
De uma severa autocrítica
Depois amparo minha diverticulite
No despropósito deste terraço de hospital
Com todas as vertigens antibióticas
De meu galopante autoengano.

Por isso, senhoras e senhores,
No flashes, no questions.




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