1.
Decorei o samba errado
Aceitas a contradança?
Derrubei sangue gelado
Será que mancha?
2.
Quem conta um conto
Aumenta os cacos.
Quem tudo quer
Engole os sapos.
3.
Da laranja quero um gomo
Do pulmão falta um pedaço
Se essa lua fosse minha,
Terezinha, aquele abraço!
Aos 51 anos, começo a mostrar meus poemas inéditos, um a cada segunda-feira, na fé de que tenham valor literário e caiam no gosto dos que levam a vida em versos livres
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Meu grito
Pois quando um zunido
Ocupou as duas vagas laterais
De minha cabeça latejante,
Abri meu portão cheio de dentes
E gritei seu nome composto
De cuspes e consoantes,
Enquanto cerrava, por trás das lentes,
As duas simétricas venezianas,
Molhadas e remelentas,
Desta minha gasta face
Manchada de mágoas e Munchs
E máculas resistentes.
Ocupou as duas vagas laterais
De minha cabeça latejante,
Abri meu portão cheio de dentes
E gritei seu nome composto
De cuspes e consoantes,
Enquanto cerrava, por trás das lentes,
As duas simétricas venezianas,
Molhadas e remelentas,
Desta minha gasta face
Manchada de mágoas e Munchs
E máculas resistentes.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Súplica
Quer que peça mais como?
Quer que implore?
Que ajoelhe imprecações?
Que suplique em gosmas?
Que chore em caldas?
E me dissolva em babas?
Pois faço.
Peça que faço.
Uma fraqueza a mais
Não vai ruir meu forte.
Fraquejo o quanto for
pra enrijecer meu leme
e acarinhar meu prumo,
e assegurar meu norte.
Quer que implore?
Que ajoelhe imprecações?
Que suplique em gosmas?
Que chore em caldas?
E me dissolva em babas?
Pois faço.
Peça que faço.
Uma fraqueza a mais
Não vai ruir meu forte.
Fraquejo o quanto for
pra enrijecer meu leme
e acarinhar meu prumo,
e assegurar meu norte.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Noite de hotel
1.
Ar com barulho condiciona o sonho,
Sem meia nos pés nem me suponho.
Cacos de taça, gim de frigobar,
Veneno na tomada, asas de picar,
Escuro que ameaça, vulto que perpassa,
Quantos pijamas ainda furo de fumaça?
2.
Pena de ganso é vida adormecida.
Sonho no sonho, certeza distorcida.
Choro na fronha, afago no sofrer.
Cortina forrada, ensaio pra morrer.
3.
A insônia eu embalo, não perturbar.
O desejo eu derramo, favor arrumar.
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